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domingo, 12 de junho de 2011

Campanha PS e PSD

Juntamente com Mikhaela Anjos, fui às arruadas do PS e PSD na Baixa de Lisboa.
O resultado é este...

video
Vídeos e Fotografias: Carolina Santos e Mikhaela Anjos
Montagem: Carolina Santos e Mikhaela Anjos

Santos Populares na Baixa Lisboeta

Durante todo o mês de Junho, a Baixa Lisboeta, bem como outros pontos da cidade ribeirinha, vai receber as famosas festas populares.
Os Santos Populares levam todos os anos milhares de pessoas às ruas. Portugueses e estrangeiros juntam-se para festejar e dar continuidade a uma tradição que parece não se querer perder.
Estas festas criam entre todos os habitantes da cidade de Lisboa a sensação de pertença e de união. O orgulho apodera-se de todos nós e é nestas alturas que temos gosto em dizer que somos portugueses e lisboetas.

Não deixem de ir e de fazer parte de um evento que, afinal, é nosso!

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Uma Braçada de Esperança


David, Leila, Maria João, Susana e Ivo têm em comum o gosto eterno pela água e pela competição. Do seu dicionário fazem parte palavras como coragem, empenho e dedicação. Transportam ainda, dentro de si, a grandiosa vontade de serem, afinal, como todos os outros. Porém, acabaram por ser melhores.


 Pelo sonho é que vamos, comovidos e mudos. Chegamos? Não chegamos? Haja ou não frutos, pelo sonho é que vamos. Basta a fé no que temos. Basta a esperança naquilo que talvez não teremos. Basta que a alma demos, com a mesma alegria, ao que é do dia-a-dia.” Este poema parece que foi feito para eles. Movidos por um grande sonho e uma vontade irrepreensível de serem mais altos e irem mais longe, os atletas paraolímpicos lutam diariamente para alcançar os seus objectivos e mostrar a todos como transformam as adversidades em proveitos e fazem delas grandes lições de vida.

São duas e meia da tarde. Entrei no complexo aquático do Clube de Natação da Ges Loures. O cheiro típico da piscina e todo aquele ambiente de cor azul fizeram-me entrar num novo mundo. Um mundo que eu percebi que pertencia a verdadeiros heróis. À minha espera estava Ivo, um dos mais recentes elementos da equipa de natação adaptada. Começámos a trocar as primeiras palavras. Ivo tem 18 anos e uma doença degenerativa que lhe atrofia os músculos.

A paisagem era verde e fazia-nos sentir o magnífico aroma da vegetação. O céu estava limpo e os raios de sol chegavam até nós pelas brechas deixadas pelas árvores. Num andar sobre rodas, Susana chegou até mim com boa disposição. Sentei-me num muro e as primeiras palavras começaram a soar. Para ela, diferentes somos todos e apenas é diferente da maioria porque não anda como eles.
Susana tem 35 anos e uma doença incurável e irreversível, que lhe causa uma atrofia muscular e uma perde de sensibilidade e até de movimentos. Ao mostrar um olhar extremamente pensativo, Susana diz que não foi um choque perceber que tinha aquela doença, uma vez que já nasceu com ela. E é aqui que me surpreende ao dizer, num tom de voz tão descontraído, que “não é nada do outro mundo”. Começou a nadar aos 10 anos e estreou-se na alta competição com apenas 17, conquistando a medalha de bronze. Em 1992 participou nos seus primeiros e mais marcantes Jogos Paraolímpicos, em Barcelona, onde alcançou o terceiro melhor tempo do mundo. “Barcelona está num cantinho muito especial. Adorei estes jogos, o espírito de equipa e o grupo”, diz-me Susana, mostrando um sorriso que chega a ser contagioso. Seguiram-se muitas medalhas, recordes mundiais e os Jogos Paraolímpicos de Atlanta (1996) e de Sydney (2000). É considerada como um mito da natação e é a atleta paraolímpica mais medalhada, em que apenas lhe faltou o ouro nos Jogos Paraolímpicos. Ainda hoje, os recordes nacionais a ela pertencem. “Não sei como consegui tanto. Ainda nem os atletas masculinos conseguiram batê-los”, conta-me, mostrando uns olhos apinhados de orgulho. Como uma grande prova de empenho e muita coragem, Susana não sabe o que é não ganhar: “Se eu falhasse era complicado de gerir. Nunca cheguei cá sem uma medalha”.
            O barulho dos passarinhos começa a chegar até nós. Peço a Susana que relembre os momentos em que ouviu o hino de Portugal e para tentar descrevê-los. Não consegue. Apenas diz que é uma sensação indescritível, em que pensa em tudo e não pensa em nada. É o culminar de um esforço e a recompensa de tanto trabalho. A família sempre teve muito orgulho nela e sempre a apoiou nesta etapa da sua vida. É com um sorriso muito divertido e maroto que Susana diz que “com estes resultados era difícil dizerem-me não a alguma coisa”. O treinador também foi essencial para todas as suas vitórias. “No momento da partida desejava-me boa sorte e dizia que eu sabia o que tinha de fazer”, disse-me, deixando passar uma voz que demonstra alguma nostalgia e um grande carinho.
Em 2005, deixou a natação por ser um desporto muito violento. Apenas dois anos depois, entrou para o Boccia, um desporto paraolímpico que consiste num maior contacto com o público e o adversário, onde é preciso muita calma e concentração.
            O sol continua a brilhar e a pequena aragem e o aroma das árvores tornaram a conversa ainda mais envolvente e agradável. Susana já está em quarto no ranking nacional de Boccia e faz parte da selecção nacional desde o início, onde treina uma vez por dia.
Peço-lhe para que pense se imagina a sua vida sem aquela doença. E a resposta é, mais uma vez, extraordinária, mostrando uma grande descontracção e conformismo: “Por um lado imagino-me a andar e a correr, mas tenho consciência de que isso não vai voltar a acontecer”. Afinal, se não fosse este problema, não teria conhecido tantas pessoas nem teria passado pelos momentos inesquecíveis que hoje recordou.

            Com um fato-de-banho preto, uma touca azul e uns óculos que deixavam transparecer uns elásticos de cor amarela, Ivo entrou na água, ansiosa e lentamente, e começou uma jornada de grande empenho, na esperança de que cada braçada o levasse cada vez mais longe. À medida que ia avançando, ouvia-se o chapinhar dos seus pés na água. E batiam com tanta força que se podia notar alguma ondulação. Cada respiração enchia-lhe o peito de coragem para continuar. Quando parava, instituía-se o silêncio, onde apenas se ouviam os movimentos ténues e ligeiros daquela água azulada.

O ambiente estava calmo e convidava a uma conversa que se adivinhava ser repleta de recordações. Vestida com umas jeans e um casaco azul e com o cabelo apanhado, Maria João chega às horas combinadas. Logo na primeira palavra, percebo que estava um pouco constipada. A conversa prometia ser longa. Afinal, a sua vida aos 32 anos já estava preenchida de episódios que a irão marcar para sempre. E, segundo Maria João, ser diferente “é uma mais-valia”.
            Maria começou a nadar aos quatro anos por indicação médica. Sempre gostou da sensação de estar dentro de água. É com um grande sorriso que me conta que quando era pequena nadava em troca de chupas. Aos dez anos, o médico disse-lhe que poderia abandonar a natação e Maria nunca mais voltou a nadar. Em 1992, quando abriu o Clube de Natação da Ges Loures, estava já a perder alguma mobilidade e sentia a necessidade de ser estimulada. Voltou a nadar e apenas um ano e meio depois foi convidada para integrar a equipa de natação adaptada. “Nem fazia ideia de que existia competição assim”, diz-me Maria João. Em 1995, foi ao seu primeiro campeonato nacional e apenas dois anos depois viajou até Badajoz para participar no tão aguardado campeonato da Europa. Em 2000, o seu grande sonho concretizou-se e cada braçada dada nos seus intensos treinos alimentou a esperança de ir aos Jogos Olímpicos de Sydney (Austrália). “Foram perfeitos os Jogos. Estar a representar o país é muito bom”, relembra, numa voz que denota uma certa nostalgia e, ao mesmo tempo, um grande orgulho. Com um ar sonhador conta-me que a piscina estava cheia e era inexplicável estar a nadar ali. Em 2004, seguiram-se os seus segundos Jogos, na capital grega Atenas.
            O cheiro a café e a pão torrado começa a dissipar-se pelo ar. Maria João sempre teve os seus objectivos muito bem traçados. Queria melhorar as suas marcas, independentemente de ganhar ou não alguma medalha. “É preciso trabalhar muito e ter uma micro pontinha de sorte”, disse-me ela. Nos intervalos de toda esta agitação, a ex-atleta paraolímpica tirou o curso de Tradutora e Intérprete.
            Lá fora, a chuva caía intensamente e o céu estava demasiado cinzento. O cheiro a terra molhada começava a sentir-se. De entre as muitas medalhas que ganhou, foi também condecorada por ter sido tri-campeã do Mundo. Abandonou a natação em 2009, depois de ter ganho três medalhas nos Estados Unidos. Ao soltar uma grande gargalhada que demonstra toda a sua boa disposição e simpatia, conta-me um episódio caricato. Durante um campeonato, quando subiu ao pódio, enganaram-se na música do Hino de Portugal e Maria disse para a desligarem e ela própria fez questão de o cantar.
            De todos estes anos, destaca o papel do seu treinador. “Sempre que achei que não era capaz, ele achou que sim”, conta-me, mostrando um grande orgulho e ternura por aquele com quem partilhou as suas medalhas mais importantes. “São mais dele do que minhas e se as ganhei foi porque ele nunca me deixou desistir”.
            A chuva começa a cair intensamente, precisamente na altura em que Maria João parecia fazer uma reflexão. “A capacidade de trabalho, o sacrifício e o espírito de equipa são ferramentas que ganhei e que me vão acompanhar sempre”, diz-me ela, ao mesmo tempo que vai remexendo no molho de chaves que a acompanhavam.
            Orgulhosa por ter mostrado que conseguia chegar longe a todos aqueles que duvidaram de si, Maria João conta-me que “ muita responsabilidade é ter o país todo às suas costas. Tu és Portugal e levas a bandeira”.
           

Ao tentar imaginar a sua vida sem ter uma paralisia cerebral, lança um suspiro e surpreende-me ao responder que muito provavelmente seria uma pessoa comum, como todos os outros. “Sempre quis maximizar aquilo que tenho e não chorar por o que não tenho. A paralisia cerebral faz parte de mim como usar óculos”, assegura, deixando transparecer uma voz que mostra uma grande calma.

Voltamos à piscina. O Ivo continua a treinar. E vai e vem e vai e vem, sem nunca se cansar. Bate as pernas e os braços com tanta força que se forma uma camada de espuma por onde quer que ele passe. É o esforço de quem quer ser um campeão. A sua técnica preferida é nadar de costas. Vai conversando com um amigo que está a nadar mesmo ao seu lado. Entretanto, conta-me que estava para desistir da natação, mas depois convidaram-no para integrar a equipa de natação adaptada.
Ivo está no 12º ano e quer seguir economia. Parece que os números são outra das suas paixões.
           
Um móvel castanho, com algumas prateleiras, carregava muitos troféus. Cada um maior do que o outro. Olhando de relance, sobressai o globo de ouro conquistado em 2006. Uma sala com paredes de cor branca a contrastar com o dourado dos troféus parecia tão apropriada para estar à conversa com uma verdadeira campeã da natação adaptada. Para Leila, nós somos todos diferentes e o princípio da igualdade é, na verdade, o tratarmos cada um de forma diferente.
Leila tem uma malformação congénita no antebraço direito. Começou a praticar natação aos três anos por indicação médica e aos 12 ingressou na equipa de natação adaptada da Ges Loures. “A natação dava-me uma grande sensação de liberdade”, diz-me Leila. A sua primeira grande competição foi na Taça da União Europeia Integrada, onde conquistou duas medalhas de bronze e passou a ser considerada a esperança do desporto paraolímpico. Foi pela primeira vez aos Jogos Paraolímpicos em 1996, em Atlanta. Com um tom de voz nostálgico e ajeitando a manga do casaco azul do braço esquerdo, Leila conta-me que “o acender da chama em Atlanta foi o momento mais marcante”. Com apenas 16 anos de idade, foi distinguida com o título de “Melhor Atleta Feminina”, no Campeonato de Portugal de Natação de 1997. Em 2006, para além de ter arrecado o bronze no Mundial em Durban, África do Sul, a ex-atleta foi eleita a quinta melhor nadadora do mundo em natação adaptada. Mais um prémio a juntar às inúmeras medalhas de ouro, prata e bronze, e aos recordes mundiais e nacionais que conseguiu. Em 2008, nos Jogos Paraolímpicos de Pequim, ficou em sétimo lugar e decidiu abandonar a natação, devido a outros projectos pessoais. No meio de tudo isto, Leila tirou o curso de Medicina Geral e Familiar.
A sua extrema simpatia desde cedo me saltou à vista. Ao recordar a sua experiência enquanto atleta de alta competição, Leila admite que sente falta da prática diária e de “estar integrada numa equipa onde havia muita entreajuda”.
Quando se falou na família, o seu olhar mudou completamente e assumiu uma feição mais terna. “É impossível um atleta de alto rendimento conseguir bons resultados sem o apoio da família”, contou-me, relembrando que os pais acordavam muito cedo para a levar todos os dias aos treinos. Recordando o quanto a prática do desporto contribuiu para a formação da sua personalidade, Leila diz que “quando se começa a fazer desporto tão cedo há valores fundamentais que ficam, como a criação de objectivos e o espírito de equipa”. Nesta altura o seu telefone toca e Leila apressa-se a desligá-lo.
Apesar de ter deixado a natação adaptada, continuou a estar intimamente ligada ao desporto paraolímpico. Em 2009, candidatou-se a presidente da Federação Portuguesa de Desporto para Pessoas com Deficiência e ganhou. “Achei que com a minha experiência poderia ajudar alguém”, disse-me Leila. Desde então e continuando a mostrar o seu carácter de lutadora, tem procurado criar condições em termos de desenvolvimento da prática do desporto adaptado.
Peço-lhe que me diga se imagina a sua vida com o antebraço que lhe falta. Uma vez que já nasceu assim, não pensa muito nisso. “No meio do azar tenho imensa sorte e a família ajudou-me a encarar este problema como se fosse algo menor, desde que me valorizasse a mim própria”, assegurou-me, ao demonstrar uma expressão muito serena e confortável. Para além disto, foi este problema que lhe permitiu fazer o que fez e conhecer as pessoas que conheceu.

Passadas duas horas quase a nadar sem parar, Ivo sai da água e limpasse a uma pequena toalha de cor roxa. Calça as meias e os ténis e veste uns calções e uma t-shirt azul com as mangas amarelas. O treino, afinal, ainda só vai a meio. Ivo dirige-se até ao ginásio, onde vai realizar uma série de exercícios que o ajudarão a fortalecer os músculos. A sala está cheia de máquinas e Ivo começa por fazer exercícios de pernas. Mostra alguma dificuldade, uma vez que é na perna direita que a doença se faz sentir com mais força. Mesmo assim não desiste e continua a levantar uns magníficos 25 kilos. Conta-me, entre a pausa de um exercício, que tem como objectivo os Jogos Paralímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. Ivo quer seguir o exemplo do seu amigo e colega David Grachat e diz que “nadar como ele na minha classe já era muito bom”.

            É alto, muito alto. Tem 1,90 metros e a sua voz possante faz transparecer os seus fantásticos 24 anos. O seu tom simpático e a sua atitude sempre tão prestável convidavam a uma conversa que só poderia ser divertida. Para David ser diferente “é ser normal, pois todos somos diferentes”.
            David começou a nadar aos 2 anos com o intuito de desenvolver os músculos e logo aos 10 começou a participar em competições. “Nunca gostei a sério da natação; preferia o futebol”, diz-me ele, num tom de voz um pouco irónico que reflecte a seu grande à vontade com a conversa. Até aos 15 anos, a prática da natação foi sempre uma brincadeira. “Numa competição em Madrid ganhei a um colega meu, que era melhor, e a partir daí foi sempre a evoluir”, conta-me, sorrindo à medida que se lembra deste episódio que deu o mote para aquilo que viria a ser a vida de um verdadeiro campeão. Desde há 14 anos que faz desporto de alto rendimento. Em 2008, foi pela primeira vez aos Jogos Paraolímpicos de Pequim. Para ele foi uma experiência muito gratificante e o culminar de um grande esforço, aproveitando ainda para dizer que “não treinamos para mostrar que somos uns coitadinhos”. Denota-se a força, a coragem e o empenho que o movem, nesta luta que tem, afinal, o fim de ser como todos os outros.
            A noite já vai longa e a chuva cai intensamente. David realça o papel da família e do treinador. “Se não tivesse os pais que tenho nunca seria aquilo que sou”, disse-me David, deixando sair um pequeno suspiro de onde se realçou o orgulho que sente nos seus pais, que acordavam todos os dias às 5:30 da manhã para o levar aos treinos. Já o treinador “é como um pai para mim. Passo mais tempo com ele do que com os meus pais”.
            David começa a treinar todos os dias às 6:30 da manhã. Depois vai para a Faculdade de Motricidade Humana, onde está a tirar o curso de Ciências do Desporto. Ao início da tarde, volta novamente à piscina para treinar praticamente até à hora de jantar.
            Ao tentar imaginar o momento em que irá ouvir o hino de Portugal no pódio, depois de conquistar o primeiro lugar numa grande competição, David fica sem palavras. De repente, o silêncio apodera-se da conversa. Lá fora ouve-se a chuva a embater constantemente no chão. Quando este momento chegar, não sabe como irá reagir.
            Peço-lhe que imagine a sua vida com a mão esquerda que lhe falta. A resposta não me poderia ter deixado mais espantada: “Seria diferente para pior. Não vejo nada de mal em ter nascido assim. Provavelmente não chegaria onde cheguei nem conquistaria as coisas que já alcancei”.

            Regressamos ao ginásio. Ao pensar na longa jornada de trabalho que ainda tem pela frente para conseguir atingir o topo, Ivo diz que “não se importa de estar menos tempo com os amigos”. Quando lhe pergunto pela posição dos pais face a esta nova fase da sua vida, Ivo deixa transparecer um pouco de tristeza. O pai não acredita que ele irá conseguir, mas a mãe dá-lhe todo o apoio. Está neste momento a fazer exercícios de braços e diz-me que “ainda duvido um pouco de mim, mas vou conseguir”. São palavras de quem quer ser como todos os outros. São palavras de alguém que começou a lutar todos os dias para mostrar que, mesmo com as dificuldades de mobilidade, consegue chegar longe e atingir, afinal, aquilo que todos nós não conseguimos atingir.

Maria João vai continuar a fazer com que o seu testemunho sirva de exemplo para os mais novos. Susana vai ser cada vez mais persistente para tentar ir aos Jogos Paraolímpicos de Londres em 2012. Leila continuará como presidente até 2012, lutando por igualar os direitos dos paraolímpicos aos dos atletas comuns. David quer ganhar uma medalha nos Europeus de 2011 em Berlim e qualificar-se para os Jogos Paraolímpicos de Londres em 2012.

Ivo continua a treinar. Está neste momento a fazer abdominais. Quer mostrar ao pai que estava enganado. Conta-me que não deixa de pensar na pressão que será representar o país, mas os seus sonhos ainda não voam muito alto. “Ainda não penso muito em ganhar uma grande competição. Mas imagino-me a ir aos Jogos. Para mim estar entre os melhores já é uma conquista”, conta-me, à medida que esboça um grande sorriso e mostra um olhar sonhador. É como se, de repente, tivesse feito uma viagem no tempo, uma viagem no seu futuro que se adivinha ser de muito trabalho e intensas conquistas. Peço-lhe, enquanto continua a treinar, que imagine o momento em que irá ouvir o nosso hino. Ivo pára, sem saber o que dizer. Ainda não tinha pensado muito nisso. No meio de algum cansaço e tentando pronunciar algumas palavras, diz que não vai “conseguir pensar em nada. Vai ser uma grande sensação de felicidade e de recompensa. Afinal, significa que atingi o topo”.
Para Ivo, “ser paralímpico é ser-se igual, mas diferente”: igual nas oportunidades, diferente porque não pode competir com todos os outros.

“Chegamos? Não chegamos? Partimos. Vamos. Somos". Amanhã, Ivo e David vão voltar a treinar. E a cada braçada, aumenta a esperança de chegar, de chegar não sabem bem onde, mas de chegar o mais longe possível e mostrar que conseguiram. Apenas querem partir e embarcar naquela que será a viagem das suas vidas. Partem sempre com a esperança de conquistar um novo lugar. Partem, acima de tudo, com a certeza de querer tornar o mundo num lugar melhor. Afinal, como diz Maria João, ser diferente “é uma mais-valia”.

domingo, 5 de junho de 2011

Pedro Passos Coelho: Primeiro-Ministro de Portugal

          Com maioria absoluta, Pedro Passos Coelho é o novo primeiro-ministro de Portugal.
        Com esta mudança de ideologia política no governo, esperemos que o nosso país consiga recuperar da grande crise financeira em que está metido.
        Os 42% de abstenção não deixam de ser preocupantes. Parece que as pessoas não percebem que não votar é negar um direito que têm e que demorou tanto tempo a ser conquistado. Não percebem, acima de tudo, que é a única maneira que têm de se expressar e de interferir de uma forma mais directa na governação de Portugal.
          Não nos podemos esquecer que é quem escolhemos para nos representar que decide o nosso futuro.

Eleições Legislativas 2011

       Hoje Portugal vai a votos. É hora de escolher o nosso próximo Primeiro-Ministro.
       Como o Presidente da República afirmou ontem à noite no seu discurso, votar não é só um direito, mas sim um dever.
      Por isso, não deixem de votar. Esta é a única oportunidade que têm de se manifestar e dar a conhecer aquilo que pensam. Se querem que o país mude de rumo corram às urnas e ponham a cruz no partido que acham que nos representará da melhor forma.